Gostaria de saber se você concorda que o ato de fotografar é sempre uma manipulação de imagens, tendo em vista que ao apertar o disparador o fotografo decide o ângulo, temperatura, velocidade, composição, etc? Ou isso só acontece em um processo de pós-produção, independente de ser realizada em softwares ou com ´colagens´ como acontecia em película? Até onde vai essa "veracidade" na fotografia? Se é que ela existe. E como a maioria das pessoas recebe isso? De forma negativa ou elas querem/desejam esse simulacro?
As questões sobre a veracidade da fotografia, o simulacro, o referente, são filosóficas e bastante interessantes. Meu ponto de vista pessoal é que uma fotografia não é o objeto, não é o referente, e, portanto sempre é um simulacro. É dever do artista interpretar suas próprias idéias sabendo que não está duplicando o objeto fotografado, portanto com liberdade e sem preocupações com o "real".
As interpretações por parte do observador são as mais diversas, e psicologicamente muito interessantes. Na publicidade o distanciamento é levado a extremos, onde não há em muitos casos nem mesmo a mais tênue ligação da imagem mostrada com o objeto real; mas mesmo sabendo disso, o sonho leva as pessoas a desejarem aquilo que está sendo mostrado.
Que tipo de monitor seria uma boa solução, custo benefício, para trabalhar imagens? Você tem dado cursos pelo Brasil relacionados a fluxo de trabalho, da captura à finalização? Onde podemos acessar sua agenda?
Vários monitores e marcas são adequados ao trabalho de tratamento de fotografias. Qualquer monitor maior que 20 pol, com painel IPS e de boa marca vai atender suas necessidades. Em meu blog (
http://www.clicio.com.br) falo bastante de modelos como os da Eizo e La Cie, mas também de monitores mais baratos como alguns modelos da Apple e da Dell.
Minha agenda pode ser achada no site
http://www.clicio.com.br, clicando-se em "workshops".
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Klaus Mitteldorf
Você fotografa apenas nu de modelos, ou também fotografa nu de pessoas comuns?
Klaus: “O nu é apenas uma das coisas que eu fotografo, o que mais faço é fotografar pessoas. Faço muitas fotos de moda e nos meus trabalhos autorais fotografo pessoas nas mais diversas situações: no meu site www.klausmitteldorf.com, vocês podem acompanhar estes trabalhos, assim como nos meus livros O Último Grito e Introvisão”.
Pelo que já vi do seu trabalho, você sempre usou o processo de revelar cromo em C-41. Agora como consegue o mesmo efeito, ou algo parecido?
Klaus: “Este processo eu apliquei em muitos trabalhos e ele é característico de uma fase da minha vida! Mas o fotógrafo e todo artista tem que evoluir e procurar novos caminhos sempre, e por isso, estou desenvolvendo novos caminhos usando a tecnologia digital”.
Qual a maior diferença que você poderia elencar nos seus trabalhos na fotografia analógica e digital?
Klaus: “A diferença não está no uso do processo digital ou analógico. A diferença está na técnica fotográfica que eu usei em cada momento da minha vida de fotógrafo... Os tempos mudam e as técnicas evoluem... Mesmo quando só existia a fotografia analógica, as possibilidades eram inúmeras, exemplos: filmes com texturas e ASA diferentes, os vários tipos de Polaroid e os inúmeros filmes preto e branco”.
Qual a técnica utilizada no ensaio das fotos dentro da piscina com uma flor (acredito que foi realizado na década de 80)?
Klaus: “As fotos da piscina foram feitas com uma Nikon F5 e com filme Kodak EPP revelado em C-41. Mas o processo final que resultou na textura contrastada nas fotos, foi elaborada no processo de ampliação em papel fotográfico”.
Normalmente seus ensaios acontecem de acordo com demandas do mercado? Solicitações de clientes do mercado editorial? Ou você os cria? Como você comercializa seus ensaios?
Klaus: “Os meus ensaios pessoais independem do mercado, são puras fantasias minhas que eu tento converter em fotografia! O mercado que acaba consumindo estas idéias para uso editorial e publicitário... a gente cria e eles usam depois! Geralmente estes ensaios não são comercializados, mas a idéia deles sim... eu vendo a idéia, não o ensaio em si”!
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Na foto da vodka, a luz de fundo fica quantos pontos de diferença da principal?
Marcelo: “Um ponto mais clara é bom. Deixa a garrafa com transparência branca sem ‘matar’ nenhum detalhe”.
Seria possível e com um efeito mais favorável que luz contínua, usar Dedolight nas fotos de objetos que refletem ou até mesmo Spots de pessoas?
Marcelo: “Objetos que refletem, refletem o ambiente. O Dedolight iluminará um ponto específico. O reflexo disto será tudo escuro e um ponto brilhante. Pode funcionar em objetos muito pequenos, talvez jóias. Para maiores não acho bom. Para pessoas, de modo geral, também não usaria, a não ser querendo um efeito muito específico”.
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Com uma demanda muito grande de trabalho, você é a favor de trabalhar com equipe ou você prefere trabalhar individualmente. Meu nome é Milani do FOTOM de S.J.Rio Preto/SP
R: Este é um assunto bem pessoal, e muitas vezes delicado. Quando os serviços são prestados por um estúdio ou empresa, ter equipes realizando os trabalhos é algo bem comum. Sua tarefa é dar o suporte e, principalmente, a confiança aos noivos, oferecendo uma equipe treinada, de boa apresentação e com autonomia para tomar decisões durante o casamento. Mas quando o produto que está sendo vendido é proveniente de um trabalho autoral, assinado pelo fotógrafo, aí tudo muda. Os noivos farão um bom esforço para poder tê-lo no casamento registrando imagens com conceito e de alto valor. As duas situações são interessantes, só depende da intenção do profissional. Eu, particularmente, vendo o trabalho da minha equipe.
Como fotografar uma noiva negra de vestido branco e o noivo branco de terno preto?
Não vejo muito o que fazer de diferente. Apenas ter o cuidado de usar uma luz mais difusa, já que a luz mais dura aumentaria ainda mais os contrastes.
Durante a sessão existia distorção das cores na fotografia. Por exemplo, as cores dos vestidos das mães... Fica por isso mesmo?
R: Não. Temos que primar pelas cores reais, a não ser que o que tenha interferido tenha sido uma luz cênica, com gel colorido. No caso do Estúdio Brasil, tivemos algumas alterações de cor, o que não é o ideal. Para entregar aos noivos, as fotos devem passar por um tratamento. Eu clico em RAW e isso me possibilita ter uma margem boa para correção.
Se a noiva tiver Vitiligo? Tira no Photoshop ou deixa?
R: Deixa. A fotografia também tem o compromisso documental. Costumo amenizar marcas de expressão (rugas, olheiras e espinhas), mas só isso. Não mexo nas características físicas das pessoas.
Até que ponto o tratamento de fotos lhe favorece nas fotos do casamento? E até que ponto você pode controlar a direção das pessoas nas fotos de casamento?
R: Se tenho um costume legal que mantenho da época em que clicava com analógico é o cuidado na captura, principalmente na exposição. Temperatura de cor é outra história, pois posso corrigir da forma que achar melhor (mais ou menos amarelo, por exemplo) na pós-produção. Quanto à direção das pessoas, acho que é importante em alguns momentos específicos, como por exemplo, as fotos dos noivos com a família, ou somente os noivos. Nesse momento é importante um contato mais próximo para dar mais segurança e conforto aos fotografados, tornando o ambiente mais agradável. Saber conduzir a direção dos noivos até o resultado que você quer, é uma arte... Eu tenho praticado bastante.
O sistema rádio do flash Canon possui um alcance limitado e costuma falhar em ambientes grandes como uma igreja. Como você costuma resolver este problema?
R: Realmente isso ocorre, sim. Se você optar por usar o sistema escravo, aconselho analisar 2 opções de acessórios que podem lhe ajudar: Pocket Wizard e Radio Popper. São equipamentos fantásticos que unem o sistema escravo a capacidade de comunicação à longa distância.
Explique melhor como você configurou os dois flashes para que um sirva de principal e outro de preenchimento.
R: O flash que estava na câmera, configurei como o master (master = canal 1, grupo A). O flash que estava com o assistente estava configurado para ser o escravo (slave = canal 1, grupo B). Para determinar a relação de contraste entre eles existe o ratio A:B. Eu usei, na maioria das fotos 1:4. Isso significa que a diferença de luz emitida entre o flash máster e o escravo é de 2 stops. Ex.: estava clicando com abertura f/4. A luz do escravo é para f/4 = exposição correta, e a luz do master, automaticamente, ficou 2 stops abaixo (f/2) na condição de preenchimento.
O que você pensa sobre o uso dos flashes compactos no estúdio no dia do casamento ao invés dos compactos?
R: Os flashes compactos, de sapata, têm uma capacidade muito boa e podem ser uma ótima opção para levar para o casamento. Lembrando que a natureza da luz, tanto de um compacto quanto de um flash de estúdio, é dura. Usando hazylight ou sombrinhas você muda a natureza da luz e consegue bons resultados.
Como você vende ou oferece seus produtos e serviços para seus clientes? Possui pacotes? Como você conquista o seu cliente? Explique um pouco sobre o funcionamento do marketing de vendas.
R: Normalmente marco um atendimento no meu estúdio. Apresento os portfolios de produtos e serviços sem exageros (poucos livros e um slideshow). Desta forma você sintetiza a apresentação e mostra o que há de melhor. Não há nada pior do que, depois do terceiro livro que a noiva folheou, você começar a responder de quem é tal decoração, onde a noiva fez tal vestido e daí por diante. Não tenho muitos pacotes (4 no total), mas eles são bem distintos na composição, tanto em serviços quanto em produtos. A conquista do cliente depende de vários fatores, muitas vezes de fatores que você nem imagina. É preciso estar preparado para responder claramente a todas as dúvidas, ter raciocínio rápido para colocar alguma informação de seu interesse sem que seja de forma forçada, aproveitando uma deixa do cliente. Tentar decifrar as expectativas do cliente e, com isso, sugerir coisas que ele gostaria de ouvir. Tudo isso irá impressionar o seu cliente e na hora que você der o orçamento, ele irá fazer uma análise simples: o que vou pagar é compatível com o que eu vi e senti?
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Quanto se cobra aproximadamente por um book e quantas fotos costuma entregar. Entrega fotos em alta resolução também?
Mauricio: “Depende muito do que inclui no book – maquiagem, cabelo produção de moda, produção de cena e também da finalidade: profissional/pessoal. O valor pode variar bastante, os preços também variam de profissional para profissional. Em SP oscila entre R$300 e 2000 (dependendo dos itens citados)”.
Gostaria de saber se books para profissionais são feitas sempre em estúdio ou se fazer externa também é válido?
Mauricio: “Depende muito do padrão adotado por cada agência. Há agências que preferem em estúdio, outras em externa e há aquelas que não interferem na escolha. Particularmente só faço books em estúdio”.
O que você faz quando a pessoa não é fotogênica ou sem expressão nenhuma?
Mauricio: “Infelizmente não podemos nos dar ao luxo de classificar uma pessoa como fotogênica ou não. Nosso dever é entregar um material bem feito e de qualidade. Se a expressão da modelo é boa: ponto para ela. Em contrapartida, se não se expressa bem, a culpa sempre vai ser da direção do fotógrafo. Vale tudo para descontrair a modelo e deixá-la relaxada ao máximo durante a sessão. Conversas, pausas, brincadeiras. Vai de cada fotógrafo e de cada modelo”.
Você sugere para profissionais que estão iniciando no segmento moda, a locação de um estúdio e equipamentos ou a compra dos mesmos?
Mauricio: “Depende muito. A locação tem a vantagem de não necessitar de um investimento inicial. É ideal para quem faz trabalhos esporádicos. Um estúdio próprio é mais vantajoso para quem tem uma demanda maior de trabalhos”.
Tenho dificuldade na comercialização dos books em relação a falar de valores com o cliente e convencê-lo do quanto vale. Já passou por isso? O que sugere?
Mauricio: “Esse talvez seja o grande dilema de fotógrafos de todas as áreas. A melhor forma de convencer é mostrar qualidade no trabalho. Muitas vezes os clientes escolhem o fotógrafo pelo preço e nesse caso até prefiro que façam com outro. Quero e valorizo clientes que me procuram pelo meu trabalho e não por uma questão de valor”.
Quais as dicas você daria para fotografar modelos masculinos, profissionais ou não?
Mauricio: “A sessão tem que ser o mais natural possível. Homem já é travado por natureza. Poses montadas não servem, ficam muito artificiais. O ideal é conversar muito durante a sessão e ir clicando”.
No book pessoal quantas imagens você entrega ao todo, quantas tratadas, com qual formato e resolução?
Mauricio: “Depende muito do tipo de book. Entrego entre 06 e 15 fotos ampliadas e tratadas no tamanho 24x30 (tamanho padrão para book fotográfico)”.
Não é comum o uso de sombrinhas para produção de books?
Mauricio: “Particularmente não gosto de sombrinha. Mas há quem goste de usá-las. Vai de gosto”.
Na sua opinião, a foto editorial precisa de alguma legenda? Quais os critérios para criar uma boa foto editorial?
Mauricio: “Foto nenhuma precisa de legenda. Se precisar é porque não conseguiu passar a mensagem por si só”.
"Mauricio, montei meu estúdio de alvenaria, mas tenho sofrido com a sujeira após cada sessão. O que é mais recomendável? Já me disseram para colocar uma placa de acrílico. Será que funciona? Obrigada".
Mauricio: “Suja mesmo, e é normal. O meu é pintado pelo menos 1 vez por semana e de tempos em tempos é necessário uma raspagem para remover as camadas de tinta. Uma dica é não permitir que pisem no fundo com calçados, exceto modelos que devem ter a sola do sapato revestida com fita crepe”.
Essa luz direta não interfere demais nas cores das pessoas?
Mauricio: “Provavelmente está se referindo ao uso do refletor Portrait (beauty dish). Não interfere. Alteração de cor só ocorre se o balanço de branco não estiver calibrado corretamente, se houver algum filtro colorido na luz (ou alguma superfície colorida que possa refletir a luz) ou se a exposição estiver incorreta (nesse caso apenas na tonalidade: relação claro x escuro)”.
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